Luiz Fernando Vianna, da Copel: Empresa está focada em diversificar sua matriz energética

Estatal paranaense projeta manter investimento na casa de R$ 2,5 bilhões no período 2015 a 2018 Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, Artigos e Entrevistas 23/01/2015 O investimento da Copel até 2018 poder chegar a R$ 10 bilhões ao se manter a média de aportes prevista para esse ano de R$ 2,5 bilhões. No foco da empresa está a diversificação de sua matriz energética, com destaque para as novas fontes renováveis, especialmente a eólica que neste ano deverá receber R$ 200 milhões. A perspectiva é de que a companhia chegue ao final desse período com uma capacidade instalada mínima de 6,5 mil MW e pelo menos 5 mil quilômetros de linhas de transmissão. Esse é o caminho que o novo presidente da empresa, o engenheiro Luiz Fernando Vianna, ex-presidente da Apine, terá que trilhar. Ele tomou posse do cargo oficialmente na ultima sexta-feira, 16 de janeiro. O executivo contou, em sua primeira entrevista após assumir a função, como a empresa deverá seguir nos próximos anos. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida à Agência CanalEnergia: Agência CanalEnergia: A Copel poderá investir R$ 10 bilhões até 2018, como deve ser dividido esse montante de recursos? Luiz Fernando Vianna: Por enquanto, o que temos aprovado é o orçamento de 2015, de quase R$ 2,5 bilhões. Para os anos seguintes, a expectativa é de investirmos no mesmo patamar, mas são orçamentos que ainda terão que ser aprovados futuramente. A Distribuição tem sempre uma fatia significativa, de R$ 790 milhões neste ano, pois temos uma concessão com 4,3 milhões de unidades consumidoras no Paraná, um Estado cuja economia tem crescido mais que a economia brasileira nos últimos anos. A Geração e a Transmissão receberão R$ 1,3 bilhão de investimentos em 2015. Agência CanalEnergia: Quais fontes e mercados são prioridade para a empresa? Luiz Fernando Vianna: A Copel busca a diversificação da matriz energética em bases sustentáveis, atenta a oportunidades em todo o mercado brasileiro e com especial atenção aos investimentos em fontes renováveis. Não há exatamente uma prioridade, há um equilíbrio de investimentos nas áreas da empresa conforme o porte de cada uma. O que há é uma novidade, o investimento em eólicas, que deverá passar de R$ 200 milhões em 2015, pois temos um projeto significativo para as renováveis. Agência CanalEnergia: Como a Copel Renováveis deverá investir e quais fontes deverão receber atenção especial ? Luiz Fernando Vianna: A Copel Renováveis não tem restrições quanto a fontes para investimento neste segmento, estando predisposta a investir em projetos que atendam aos critérios de sustentabilidade técnica, econômica e ambiental. Por este critério, a energia eólica tem se mostrado a mais atrativa nos anos recentes, e é a grande aposta para ampliar o parque de geração da Companhia nos próximos anos. Também guardamos expectativa quanto ao aumento da competitividade das fontes solares, cujo custo de geração tem apresentado tendência de redução e deve se tornar uma frente significativa de investimentos no médio prazo. Paralelamente, também temos várias pesquisas promissoras na área de biomassa, com geração a partir de resíduos orgânicos, e ainda na área de geração distribuída, com foco no desenvolvimento de tecnologias de acesso à rede por produtores independentes. A captação de recursos para nossos investimentos têm se dado via BNDES e também mercado de capitais. Agência CanalEnergia: As usinas de Colíder e Baixo Iguaçu estão atrasadas, qual deve ser a perspectiva de término dessas duas centrais de geração? Luiz Fernando Vianna: A previsão é concluirmos a Usina Colíder no início de 2016. Quanto a Baixo Iguaçu, da qual a Copel detém 30%, houve uma paralisação da obra pela Justiça, mas esta situação está próxima de uma solução e devemos retomar a obra em breve. Estamos reavaliando o cronograma da obra para verificar como a mesma foi afetada pela paralisação, e quais serão as ações necessárias para sua mitigação. A Copel encaminhou o pedido de excludente de responsabilidade referente à Usina Colíder no final de 2014, ainda sem resposta da Aneel. Agência CanalEnergia: A Copel não foi muito impactada pela renovação das concessões. Apenas a UHE Parigot de Souza que tem a maior capacidade instalada que será devolvida à União. Qual será o impacto financeiro que essa devolução terá sobre a Copel e a empresa tem algum plano para reverter essa receita que será perdida? Luiz Fernando Vianna: Nos últimos anos, a Copel vem investindo na ampliação do seu parque de geração, principalmente com fontes hidrelétricas e eólicas, visando garantir a rentabilidade futura neste segmento. E também pretendemos participar do leilão de GPS [UHE Governador Parigot de Souza], considerando sua relevância histórica para a Companhia. Considerando projetos próprios e participações, a Copel deverá chegar ao final de 2018 com uma capacidade instalada mínima de 6,5 mil MW e pelo menos 5 mil quilômetros de linhas de transmissão. No entanto, continuamos analisando todas as oportunidades de novos projetos de geração e transmissão com boa rentabilidade, o que poderá ampliar ainda mais os ativos nestes segmentos. Agência CanalEnergia: Como avalia as condições dos leilões de transmissão de energia que recentemente apresentaram pouca atratividade para os investidores e consequentemente poucos lances? O que precisaria mudar e como a empresa pretende se posicionar diante desse quadro? Luiz Fernando Vianna: Em nossa visão, a Aneel deve rever as condições para garantir atratividade, principalmente no que se refere à remuneração dos empreendimentos. Também há requisitos ambientais a serem equacionados, de modo a não comprometerem os cronogramas de execução das obras. Nossa disposição é de disputar empreendimentos sempre que houver atratividade. Agência CanalEnergia: Recentemente a Copel lançou a Paraná Gás que tem como meta investir na exploração de gás natural. E que pode ser fornecedora do insumo bem como ter seu próprio gás para gerar em usina integrada, como está esse projeto? Luiz Fernando Vianna: A Paraná Gás já concluiu seu planejamento de prospecção de gás natural convencional na Bacia do Paraná, mas aguarda liberação para iniciar os trabalhos de campo, ainda suspensos pela Justiça. Agência CanalEnergia: Como a Copel está posicionada no ano de 2015 em termos de exposição involuntária no primeiro semestre? Luiz Fernando Vianna: No segundo semestre não havia exposição, e com a aquisição de energia de curto prazo no leilão do dia 15 de janeiro, a Copel zerou sua exposição involuntária em 2015.

 

Fonte: http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Artigos_e_Entrevistas.asp?id=104876#.VMK-jz2BUrY.twitter