Tarifas devem aumentar cerca de 30% em 2015, calcula PSR

Preço médio deve chegar a R$ 444/MWh. Bnadeiras tarifárias deverão ser suficientes para cobrir exposição das distribuidoras no ano que vem

As tarifas de energia em 2015 devem aumentar 29% e chegar a um preço médio de R$ 444/MWh – média de 30 distribuidoras -, de acordo com cálculos realizados pela PSR. A projeção foi realizada levando em consideração a média de 1.200 cenários de tarifas de cada distribuidora. Segundo o Energy Report da PSR, o aumento das tarifas no ano que vem se deve, principalmente, aos empréstimos realizados para cobrir a exposição involuntária das distribuidoras. Em 2013, o Tesouro Nacional havia emprestado R$ 10 bilhões e a primeira prestação será em 2015, sem contar o aporte de R$ 8,5 bilhões à Conta de Desenvolvimento Energético.

Parte desses custos, ainda segundo a consultoria, foram aplicados em 2014, quando as tarifas aumentaram em média 21%. “O restante foi adiado para 2015 e o aumento previsto de tarifa é de 29%”, aponta a PSR. Em janeiro começa a vigorar o sistema de bandeiras tarifárias e a Agência Nacional de Energia Elétrica já previu que elas renderão cerca de R$ 800 milhões por mês. Mas, segundo a consultoria, a introdução das bandeiras tarifárias não trará aumentos ainda maiores na conta de luz. “A razão, de maneira simplificada, é que a distribuidora usará as receitas da bandeira tarifária para abater custos que seriam transferidos para os consumidores através de aumento de tarifas”, explica.

No entanto, a receita proveniente da aplicação das bandeiras tarifárias, ainda segundo cálculos da PSR, não serão suficientes para cobrir o saldo da exposição involuntária de 2014, visto que os empréstimos realizados não foram suficientes para zerar a conta. As concessionárias estimam que seria necessário um aporte adicional de R$ 3 bilhões e o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, havia sugerido que os gastos poderiam ser cobertos com a receita da bandeira tarifária de 2015.

“Os custos de exposição das distribuidoras no mercado de curto prazo no primeiro semestre devido à descontratação e à produção hidrelétrica inferior às cotas são aproximadamente iguais à receita prevista das bandeiras”, avalia. Isso porque as distribuidoras pediram no leilão A-1 cerca de 5 mil MW médios. Deste total, as cotas da hidrelétrica de São Simão cobririam 1.188 MW médios. Portanto, seria necessário contratar 3.812 MW médios, mas o leilão contratou somente 622 MW médios, o que faz com que a exposição estimada das distribuidoras seja de 3.190 MW médios.

Supondo que o PLD no primeiro semestre esteja no teto de R$ 388/MWh, a exposição custaria R$ 5,9 bilhões. “Descontando a tarifa autorizada pela Aneel para cobrir esta demanda, que foi de R$ 164/MWh, o valor da exposição chega a R$ 3,1 bilhões”, calculou. A PSR comenta que ainda existe uma segunda exposição das distribuidoras ao mercado de curto prazo devido ao fato da produção hidrelétrica ser inferior à garantia física. Supondo uma produção hidrelétrica de 85%, a exposição chega a R$ 2,1 bilhões. Somando-se os dois fatos, a exposição total das distribuidoras chega a R$ 5,2 bilhões no primeiro semestre de 2015.

“O acionamento da bandeira vermelha ao longo do primeiro semestre resultaria em uma renda de R$ 5,6 bilhões, aproximadamente igual à exposição estimada de R$ 5,2 bilhões. Isto significa que não há muito espaço para que a bandeira tarifária seja usada para compensar o custo de exposição restante de R$ 3 bilhões de 2014”, demonstrou a PSR. Caso a cotas da usina de Sâo Simão não estejam disponíveis no início do ano que vem, visto que a Cemig está contestando o tema judicialmente, a exposição líquida das distribuidoras passaria para R$ 6,4 bilhões, mas a receita das bandeiras tarifárias (R$ 5,6 bilhões) não mudaria, havendo uma exposição de R$ 800 milhões.

A PSR ainda fez uma análise de uma eventual contratação no leilão de ajuste, marcado pelo governo para o dia 15 de janeiro. Segundo a consultoria, como o preço máximo que pode ser pago pela energia foi aumentado, a expectativa é que os contratos tenham valores muito próximos ao PLD máximo. “Portanto, sob o ponto de vista do consumidor, não há muita diferença entre a distribuidora comprar energia no mercado de curto prazo ou via contrato com aquele mesmo preço”, destacou.

Fonte: http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Noticiario.asp?id=104493

image